A campanha de segurança rodoviária “Taxa Zero ao Volante”, que deveria ser uma ação para alertar condutores e todos os ocupantes dos veículos para os riscos da condução sob a influência do álcool, se transformou numa “campanha de multas” em Portugal. De responsabilidade da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia de Segurança Pública (PSP), as ações – muito mais punitivas do que instrutivas – ocorreram entre os dias 6 e 12 de julho.

Durante a campanha foram fiscalizados 55.264 veículos, resultando num total de 14.341 infrações de trânsito, das quais, 13.719 (aproximadamente 25%), nada tinham a ver com a “Taxa Zero ao Volante”. Do universo de veículos abordados, pouco mais de 1%, ou seja, apenas 622 infrações, foram de fato aplicadas pela condução sob a influência de álcool.

Apesar de ser uma iniciativa louvável, na prática, esta foi uma ação muito mais punitiva do que instrutiva. Segundo o próprio comunicado de imprensa emitido conjuntamente pela ANSR, GNR e PSP, “na campanha foram sensibilizados” apenas “365 condutores e passageiros”. Um número ínfimo, de certa forma até vergonhoso (0,66%), diante do total de 55.264 veículos fiscalizados e das 14.341 multas aplicadas.

Confira as orientações que foram passadas ao seleto grupo das 365 pessoas sorteadas:

  • Com uma taxa de álcool no sangue de 0,5 g/l o risco de sofrer um acidente mortal duplica;
  • Os acidentes que decorrem da condução sob a influência do álcool são particularmente graves;
  • Conduzir sob a influência do álcool causa perturbações ao nível cognitivo e do processamento de informação, o que acarreta, entre outros efeitos, uma menor capacidade e rapidez de decisão, aumento do tempo de reação, diminuição do campo visual (visão em túnel) e descoordenação de movimentos.

Segundo ainda o comunicado conjunto, “No período da campanha, de 6 a 12 de julho, registou-se um total de 2195 acidentes, de que resultaram 9 vítimas mortais, 53 feridos graves e 756 feridos leves. Relativamente ao período homólogo de 2020, verificaram-se menos 92 acidentes, menos uma vítima mortal, mais sete feridos graves e mais nove feridos leves.”

Por fim, contraditoriamente aos números apresentados, encerra: “Esta campanha, simultaneamente implementada a nível nacional por todas as entidades envolvidas, foi mais um passo para o envolvimento dos condutores no desígnio de tornar a segurança rodoviária uma responsabilidade de todos.”

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