Stella Azulay

Por Stella Azulay

Quando eles são pequenos, ficam engraçadinhos no TikTok. Mas eles crescem, e o TikTok se transforma numa vitrine de vidro bem fininho que expõe todas as vulnerabilidades da fase.

O trágico exemplo recente foi do filho da cantora de forró, Walkyria Santos, cujo filho tirou sua própria vida depois de um post no TikTok, onde fez uma brincadeira acreditando que seria engraçada. Ao contrário disso, o post gerou uma corrente de comentários homofóbicos e agressivos, viralizando nas redes sociais. O menino, com apenas 16 anos, não teve estrutura psicológica para lidar com o ataque virtual.

O caso representa um sinal de alerta, de perigo. Principalmente aos pais que estimulam seus filhos a “brilharem” nas redes. Se muitos adultos não têm estrutura para lidar com comparações e julgamentos, que dirá crianças e adolescentes em pleno desenvolvimento neuropsicomotor, cuja estrutura cerebral pode ser afetada, provocando disfunção no sistema neurológico e endocrinológico, podendo gerar danos irreversíveis.

Salvo raras exceções, é irresponsável motivar este universo paralelo, beirando ao fantasioso, e que, para os jovens, se funde ao mundo real. Lidar com as consequências do que se posta nas redes exige uma maturidade que grande parte dessa geração não tem.

Falta preparo por parte dos pais no sentido não só de orientar, mas, principalmente, de monitorar o que seus filhos fazem nas telas. É fundamental ter consciência da responsabilidade que é criar jovens nos dias de hoje. Jovens estes que são desafiadores, mas, no fundo, não têm preparo psicológico para enfrentar uma rejeição no TikTok, que dirá encarar a vida real, como a conhecemos.