Nuno Tibiriçá

Nos derradeiros dias da janela de transferências de verão da temporada 2021/2022, uma única notícia tomava conta dos bastidores futebolísticos: após 12 anos, o Manchester United anunciava o retorno de Cristiano Ronaldo, aplicando um “chapéu” no rival Manchester City. Com seguidas temporadas de frustrações na bagagem, os torcedores dos Red Devils pareciam finalmente ver uma época de glória no caminho. Até agora, no entanto, a expectativa não se concretizou, e a pressão aumentou ainda mais após a derrota histórica frente ao Liverpool por 5 a 0 em pleno Old Trafford no último domingo (24).

A inconsistência da equipe treinada por Ole Gunnar Solskjaer já gera desconfiança na Inglaterra desde o início da temporada. Apesar de ter tido um bom começo na Premier League, o United vem colecionando alguns fracassos na época, como a derrota para os suíços do Young Boys na Liga dos Campeões e a eliminação para o West Ham na terceira fase da Copa da Liga Inglesa. Mesmo no campeonato, os reds sofreram derrotas contundentes nas últimas rodadas, como o 4 x 2 contra o Leicester City e o revés em casa com o Aston Villa por 1 x 0. Turbinado por contratações de impacto como o próprio Ronaldo, além de Jadon Sancho e Raphael Varane, que se juntaram ao já superestrelado elenco que conta com Bruno Fernandes, Pogba, Cavani, entre outros, os torcedores já escolheram o culpado pela má fase da equipe: o treinador norueguês.

Na saída do intervalo no clássico com o Liverpool, que vencia o jogo por 4 x 0, os gritos de “Ole, out!”, já ecoavam no Old Trafford, historicamente apelidado pela mídia e pelos próprios torcedores de Teatro dos Sonhos, mas que proporcionava mais um pesadelo para os fãs do United. Salah e companhia protagonizavam um show por parte da equipe de Jurgen Klopp, e os jogadores do Manchester pareciam cada vez mais irritados e desorientados, com Cristiano Ronaldo correndo o risco de ser expulso no final da primeira etapa, após agredir Alexander-Arnold. No segundo tempo, Salah ainda marcou mais um para o Liverpool, que depois só administrou a humilhação na casa do rival, e ainda viu Pogba ir embora mais cedo após entrada dura em Robertson.

Elenco estrelado e falta de futebol parece parte de um ciclo sem fim para o Manchester United desde a saída do ex-treinador Alex Fergunson em 2013. O escocês fez história no clube pelos títulos e período longevo: foram nada mais nada menos que 37 anos no comando da equipe, uma lenda para os torcedores. Após sua aposentadoria, a então direção do clube arriscou no seu conterrâneo David Moyes, que durou apenas um ano no cargo. Nas temporadas seguintes, apostou em nomes mais badalados, primeiro com Louis Van Gaal e depois com José Mourinho.

Apesar de investimento alto em grandes craques do futebol mundial no decorrer da década, os resultados não vieram. Com Van Gaal, que vinha de uma grande Copa do Mundo no comando da seleção holandesa em 2014, o clube investiu em nomes como Falcão Garcia, Ander Herrera, Dí Maria e Mephis Depay. Já com Mourinho, chegaram reforços da estirpe de Pogba, Ibrahimovic, Martial, entre outros. Mesmo com os milhões de euros investidos, a equipe seguiu sem vencer a Premier League desde a saída de Fergunson, e teve como maior glória em todo esse período o título da Liga Europa em 2016-2017, ainda sob o comando do português: muito pouco para um time com o peso do Manchester United.

Saída próxima

Após o vexame da última rodada, a panela de pressão que ronda uma das maiores equipes da Inglaterra está cada vez mais próxima de explodir, e a permanência de Solskjaer parece já ser insustentável. Neste sábado (30), seus comandados visitam o Tottenham, do português Nuno Espírito Santo, em Londres, no duelo que pode ser sua última chance enquanto treinador do clube no qual foi ídolo na época de jogador.

A espera do pior cenário, os torcedores do United nas redes sociais já especulam a chegada de um novo técnico e dois nomes livres no mercado surgem como os mais cotados: Antonio Conte, campeão da Serie A com a Internazionale na última temporada, e Zinedine Zidane, multicampeão pelo Real Madrid.

É bem verdade que uma vitória sobre os Spurs pode dar uma sobrevida para Solskjaer no comando do time. No entanto, em caso de mais um revés no embate com os londrinos, resta saber se a direção vai enfim ceder à pressão e dispensar o atual treinador, e mais: se um possível novo nome escolhido será capaz de finalmente colocar ordem na casa em Old Trafford. Dinheiro, estrelas, camisa e apoio não faltarão no lado vermelho de Manchester.

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