Tito Guarniere - Opinião

TITO GUARNIERE

Não há nada mais parecido com o governo do que a oposição quando chega no governo. É por essa imutável razão que o colunista, faz muito tempo não se dispõe a abraçar uma preferência política, um dogma ideológico, um partido.

Todos os partidos – e também aqueles agrupamentos de ocasião, sem rumo nem prumo, que se intitulam partidos, mas não são – são razoavelmente iguais, embora possam ter certas nuances que os diferenciam. Por exemplo, o PT é o partido que mais se aproxima desse conceito e definição, porque ao menos retoricamente mantém os pés bem fincados nas suas escolhas: os mais pobres como público preferencial, a fidelidade e o apego ao Estado, o apoio incondicional aos interesses do funcionalismo. O Republicanos é notoriamente o partido dos seguidores do bispo Edir Macedo, proprietário da Igreja Universal.

O PL não chega a ser um partido ideológico. É uma sigla partidária que se fez e aglutinou em especial conjuntura, os anos de domínio do bolsonarismo. Em essência é um partido mais das verbas do que do verbo, à exceção de sua facção da direita, estridente e extremada.

Os partidos divergem no debate público, mas são muito semelhantes quando se trata das verbas orçamentárias. Lembremo-nos das palavras desse inefável general de quatro estrelas do reacionarismo, Augusto Heleno, na convenção que aprovou o nome de Bolsonaro , em 2018 , como candidato à presidência, falando do Centrão : “ E se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão”. Depois, no ato público de adesão do Centrão ao governo Bolsonaro, ele parecia feliz e inteiramente à vontade.

Igual fenômeno se verifica mais recentemente. O orçamento secreto, a jabuticaba brasileira jamais antes pensada na história deste país, inventada por Bolsonaro e seus comparsas como Arthur Lira, era o maior caso de corrupção da história. Isso quem dizia era Lula e o PT que, de lambuja, com o argumento, retiravam das próprias costas o título nada honroso de partido mais corrupto que já existiu no país.

O orçamento secreto é, de fato, uma pilantragem e tanto, destinada a assegurar a maioria no parlamento. Mas agora, na transição, a anterior indignação amainou – o orçamento secreto passou a ser um imperativo categórico de governabilidade.

E o Centrão, antes tão enxovalhado não apenas por Augusto Heleno, como uma força política que se move apenas por interesses menores, pelo clientelismo mais vulgar, quando pela não pela corrupção institucionalizada? Eis que de novo, mais uma vez, brilha a estrela do agrupamento – o Centrão, a sua atuação organizada, uma aliança tantas vezes impensável, entretanto, parece ser a única maneira de fazer com que o presidencialismo brasileiro de alguma maneira funcione, sem maiores sobressaltos, sem um possível impeachment e outras mumunhas dos que desejam botar uma certa ordem nas casas do parlamento, principalmente a Câmara.

Cada vez mais, agora durante a transição, vai ficando claro que – de fato – a grande razão para votar em Lula era a convicção de que com ele, ao menos a democracia estaria mais preservada e segura.

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