Eis que no dia 26 de maio surge uma notícia inusitada em Portugal: mergulhadores da Marinha inativam dois engenhos explosivos na margem do rio Douro. A comunicação, feita através da conta oficial do twitter da Marinha, trazia anexo um vídeo assustador. Uma forte explosão que chegou a estremecer levemente a filmadora que registrava tudo ao longe.

Recorte da foto do engenho explosivo. Fonte: Marinha

No site oficial da Marinha, seguido de algumas fotos do aparente engenho, constava apenas a seguinte informação:  “A equipa de 4 militares da marinha, realizou uma detonação controlada dos engenhos, de forma a  causar o menor impacto possível no meio envolvente. Os engenhos foram encontrados esta manhã por um popular que informou as autoridades. A operação foi coordenada pelo Capitão do Porto do Douro e Comandante-local da Polícia Marítima”.

Outro órgão oficial, a Autoridade Marítima Nacional (AMN), também se limitou a prestar poucos esclarecimentos no site: “Na manhã de hoje, cerca das 10h30, um popular detetou dois engenhos explosivos na margem do rio Douro, em Avintes, concelho de Vila Nova de Gaia, e informou as autoridades. ​Os elementos do Comando-local da Polícia Marítima do Douro deslocaram-se de imediato para o local, tendo definido um perímetro de segurança, com a colaboração da PSP. Para o local foi também ativada uma equipa de inativação de engenhos explosivos do Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº1 da Marinha”.

Apesar de falarmos português, Brasil e Portugal possuem diferenças interessantes e muito particulares no idioma. O que para um pode ser algo inocente e corriqueiro, para outro pode ser completamente ofensivo ou contraditório. Consequentemente, eis que surge a dúvida, o que seria um engenho explosivo?

Nossa redação entrou em contato com os órgãos oficiais, Marinha e a Autoridade Marítima Nacional (AMN), e vários questionamentos foram feitos, como por exemplo: o que é um engenho e qual a sua utilidade? A quem pertencia ou a quem poderia pertencer esse engenho? Existe a possibilidade de haver novos engenhos? A população corre perigo podendo se deparar com novos engenhos? Será iniciada alguma investigação? Enfim, o básico de uma boa apuração jornalística para o devido esclarecimento aos leitores.

Muito cordialmente os 2 órgãos responderam ao BRNEWS, mas exceto por uma pequena informação adicional, ambos se limitaram a indicar os links dos comunicados que já havíamos tomado conhecimento pela internet. Os quais, respeitosamente e em nossa opinião, não acrescentaram muita coisa como informação ou esclarecimento.

E para que sejamos justos, apenas a AMN adicionou um pequeno parágrafo ao final da resposta: “Mas informamos que a detonação dos engenhos explosivos ocorreu sem qualquer incidente e que foram efetuadas buscas nas imediações para eventual deteção de outros engenhos explosivos, não tendo sido detetados”.

Depois de alguma pesquisa e investigação, conseguimos então chegar ao órgão responsável pela apuração da enigmática explosão: a Polícia Judicial Militar (PJM). Após nossos questionamentos, dentro dos limites possíveis para não comprometer a investigação – o que de pronto compreendemos – tivemos todas as nossas perguntas respondidas.

Na íntegra a resposta da Polícia Judicial Militar sobre os engenhos explosivos:

BRNEWS: As investigações já foram iniciadas?

PJM: Sim, após a notícia do crime a Polícia Judiciária Militar (PJM) iniciou de imediato a investigação, a qual é tutelada pelo Ministério Público.

BRNEWS: Já ocorreram outros casos parecidos e que foram investigados pela PJM?

PJM: Nesta fase não é possível responder a esta questão, mas a PJM investigou e tem em investigação vários processos relativos a crimes por furto, comércio ou extravio de material de guerra.

BRNEWS: A PJM já tem alguma pista sobre os responsáveis pelo engenho?

PJM: Nesta fase é prejudicial para a investigação criminal em curso a resposta a esta questão.

BRNEWS: Caso já tenha ocorrido outros casos, qual o resultado das operações anteriores?

PJM: Ver resposta à pergunta número 2.

BRNEWS: Qual a Lei que pode estar sendo infringida e qual as penas aplicáveis?

PJM: Nesta fase os factos indiciam a prática de crime de natureza estritamente militar, previsto e punido pelo Código de Justiça Militar (CJM) (aprovado em anexo à Lei n.º 100/2003, de 15 de novembro). Não sendo possível indicar a moldura penal, pois os factos podem preencher vários ilícitos penais, os quais só serão concretizados no final da investigação em curso. Pode, no entanto, referir-se que as penas previstas no CJM são mais elevadas, embora com o mesmo teto máximo, que as previstas no código penal português.

FIM!

E para que nossos leitores, sobretudos os brasileiros, não fiquem sem saber o que significa ou o que eram os tais engenhos explosivos – pelo menos neste caso específico – tratavam-se de 2 granadas de morteiros explosivos, de possível origem militar, que foram encontrados em plena margem do Rio Douro, em Vila Nova de Gaia, município pertencente à Área Metropolitana e ao Distrito do Porto, o terceiro município mais populoso do país e com mais de 300 mil habitantes.

Fica aqui então a nossa torcida para que a PJM encontre e puna exemplarmente todos os culpados. Por sorte os populares que identificaram os engenhos explosivos, talvez por serem especialistas em granadas de morteiros, tiveram a iniciativa de contatar as autoridades competentes, evitando assim um trágico fim para este que, no mínimo, foi um inusitado acontecimento.