Um macabro show de agressões físicas e de violência, que encerrou em tentativa de homicídio, ocorreu na última sexta-feira (16), por volta das 22h30, em Reguengo de Monsaraz. Toda ação foi flagrada através de vídeos que agora circulam nas redes sociais.

A confusão começou em um bar, que seguindo as determinações da Direção Geral de Saúde (DGS), proibiu a entrada dos integrantes de um grupo que não tinham o certificado digital COVID. Policiais da Guarda Nacional Republicana (GNR), que estavam no local e presenciaram toda a confusão, agora são questionados sobre a forma “passiva” como conduziram a ocorrência.

André Ventura, Deputado Federal pelo CHEGA, que tem se manifestado frequentemente nas redes sociais contra supostos maus comportamentos atribuídos à etnia cigana, disse que a culpa é de “uma grande parte dos ciganos” que “acham – se acima da lei e o Estado continua a permiti-lo!”, postou no Twitter.

Para entender as afirmações de Ventura, em contato com uma fonte, o BRNEWS questionou se existe na GNR alguma recomendação oficial, ou mesmo extraoficial, de como policiais devem se comportar diante de desinteligências envolvendo a etnia cigana. Nos foi esclarecido que não. Só que, na prática, o receio de retaliações por agir de forma mais dura é real, nos confidenciou a fonte.

Ela nos relata ainda que, numa enquete informal, feita entre colegas de profissão, tomando por base uma pequena amostra de dez policiais, todos foram unânimes em concordar com o comportamento adotado pelos colegas envolvidos.

Sobre tratar-se do envolvimento de ciganos, perguntamos a nossa fonte se seria possível, pela experiência policial, distinguir um cidadão cigano de um não cigano. Ele afirmou que é possível: a forma como se vestem, o comportamento e as terminologias utilizadas nos diálogos são facilmente identificados.

GNR condescendente

Na visão de Rui Rio, presidente do PSD e líder da oposição, a GNR foi condescendente com a situação e ele questiona o Primeiro Ministro, Antônio Costa, sobre o caso. Rio também evidencia que o “facilitismo e impunidade são via para o caos, não são caminho para o desenvolvimento”.

Em nota a GNR esclarece que “será instaurado processo de averiguações para apuramento de eventual responsabilidade disciplinar relativamente à atuação dos militares da GNR”. Segundo nossa fonte, do ponto de vista jurídico, houve ali uma tentativa de homicídio do agressor ao atirar intencionalmente o carro contra as vítimas.

Sobre o resultado da “tentativa de homicídio” suscitado por nossa fonte, explica a GNR que “conforme se verifica no vídeo, do atropelamento resultaram 3 feridos ligeiros, sendo que um recebeu tratamento hospitalar”.

Quando questionado se o comportamento dos policiais deveria ter sido mais enérgico, nossa fonte disse que sim, inclusive com a possibilidade disparos de tiros para cima, logo no início, para tentar dispersar a confusão.

GNR sobre policiais

A GNR justifica o comportamento dos policiais dizendo que “a patrulha tentou cessar o desentendimento, mas dada a quantidade de pessoas no local, acionou os meios de reforço, de forma a preservar a segurança e a integridade física dos demais envolvidos e dos próprios militares da GNR.”

Quanto ao agressor, esclarece a Guarda: “logo imediatamente após a ocorrência e já com os reforços, foram apreendidas as duas viaturas e o suspeito identificado. Tendo em conta a natureza do crime, foi chamada a Polícia Judiciária, que efetuou perícias às viaturas e dará continuidade à investigação”.

Todos são vítimas

O comportamento de uma pessoa, ou de um pequeno grupo, não deve refletir o comportamento de toda uma etnia. Da mesma forma, não se pode aceitar ou permitir, que ações tomadas sobre uma pessoa ou pequeno grupo, se confundam com preconceito ou atitudes de exceção contra raças, crenças ou religiões.

De certa maneira, todos são vítimas nesta história. O empresário que exemplarmente fez cumprir com as normas da DGS, mas que sofreu com a violência. Os policiais que podem ter hesitado ao agir mais duramente por medo de retaliações políticas ou institucionais. E toda uma etnia, que paga o preço pelo comportamento reprovável e vergonhoso de meia dúzia de baderneiros.

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