Jejum e Judas
No meu tempo de muderno, num tinha essa burrage não… A gente chegava nas casas e batia palma… “Ô essa outra, me dá uma esmolinha, pra jinjuá dia de hoje.” “Deus lhe favoreça, meu fi…” “Eita!
No meu tempo de muderno, num tinha essa burrage não… A gente chegava nas casas e batia palma… “Ô essa outra, me dá uma esmolinha, pra jinjuá dia de hoje.” “Deus lhe favoreça, meu fi…” “Eita!
Genésia Ferreira de Almeida, 47 anos, nasceu na comunidade de Água Preta, onde vive com o marido e quase sempre está acompanhada das duas filhas e os três netos, meninos que sonham em ser vaqueiros. A roça, como chama sua propriedade, é conhecida como Alagadiço por causa do barreiro e de nascentes de água.
A sinceridade do tempo “O sertão está em toda a parte, o sertão está dentro da gente. Levo o sertão dentro de mim e o mundo no qual vivo também é sertão” – Guimarães Rosa Se pudesse, teria nascido no meio do sertão.
O premiado Sérgio Carvalho, 48 anos – faz 49 em abril – divide seu tempo como auditor fiscal do Ministério do Trabalho e a fotografia. Foi combatendo o trabalho escravo que se deu conta da importância de documentar sua atividade e comprou logo uma máquina fotográfica.
NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO No piloto do paquete, o vei Germano preocupado com o vento disse a João Durim: “João, rema senão vamos perder o balaio.” Ele, remando, preguiçosamente, com as mãos, respondeu lentamente: “Que nada Germano, aqui mesmo vai…” Enquanto isso, o garoto Chico de Aurélio Baia, recolhendo o peixe no calão da rede, proseia: “Eta!
SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO Vou voltar pra Xique-Xique, Meu sertão, São Paulo num fico não, Ai que saudade que dá, Quando toca um xote, Vou voltar, Pra atravessar rio a nado, Passar pro outro lado, Vou voltar Pra navegar no Velho Chico, Eu vou voltar, Por ser de lá, beiradeiro da beirada, Vou voltar, Deitar em rede de balanço, Se balançar, Nem vou me despedir,…
São muitas as entidades protetoras da natureza e que geralmente atuam assustando e punindo aqueles que agridem as matas, os rios e os mares. Maragogipe, no Recôncavo Baiano, foi o único lugar do Brasil onde observei a ocorrência da lenda da Vovó do Mangue.
Na região ribeirinha, após a alta das águas do rio, costuma formar lagoas dentro de terrenos particulares em torno da margem. Quando o peixe fica escasso na ipueira, os pescadores invadem esses locais, na madrugada, para o dono da propriedade não perceber a incursão.
É preciso deixar claro duas coisas sobre a agricultora aposentada e dona de casa Alaíde Dias de Souza, 72, que nasceu na localidade de Cercadinho e há mais de 50 anos se mudou para a parte mais central do povoado de Água Preta, em Encruzilhada (BA). A primeira é que sempre trabalhou na roça, mais o pai e os irmãos.
A médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda e o jornalista Biaggio Talento entrevistam o pesquisador potiguar Múcio Procópio sobre a história de Cristino Gomes da Silva Cleto, o cangaceiro Corisco. Nascido na localidade de Matinha de Água Branca, em Alagoas, Cristino possuía pele alva e cabelos louros e longos.
SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO Pelas barrancas do Velho Chico, Descalça vai para fonte, Leva pureza, Morena pelo Horizonte: Dispensa chinelo rasteiro, Vestido estampado, andar ligeiro; Nádegas frondosas, Cabelos encaracolados Da moça formosa.
SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO Ser beiradeiro é em dias chuva fria poder comer o meu mingau de milho, ouvir galo cantar de manhã cedo, mesmo que seja no terreiro de alguém, e esquentar o corpo perto do borralho de um fogão de lenha, olhando a brancura do céu.
As cantigas são composições poéticas de versos curtos e divididas em estrofes, próprias para serem cantadas. Se nos interessa classificá-las podemos identificar as de roda, de ninar, trovadorescas, entre tantas.
A sina de Letícia Pereira da Silva, 70 anos, é trabalhar muito. Tanto é que três de seus dez filhos nasceram à beira do forno, entre um esfregão e outro na roupa suja e após ela mexer (torrar) farinha, sob um calor infernal.
“Não vejo seu rosto! Vejo somente as mãos! E isso me basta! ” – Aglaé D´Ávila Fontes de Alencar A artesã Edinalva Batista dos Santos, a Nalva, 55 anos, aprendeu a fazer renda – ponto de cruz e rendendê – aos 12 anos, depois que a família deixou Muribeca, cidade natal no agreste sergipano, e foi morar no sertão de Aquidabã, a 21 km de distância.
SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO Faz tempo, ando buscando elementos que me deem um adjutório na tarefa de entender a formação da língua portuguesa no Brasil.
SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO. Cresci ouvindo músicas e informações na difusora A Voz da Liberdade, rádio comunitária que propagava seu som através de alto-falantes pendurados nos postes de iluminação de Xique-Xique.
Na Chapada Diamantina, no município de Mucugê onde morei, surpreendi-me importância de presenças amigas em torno de um recém falecido em preparação para o sepultamento. As sentinelas são vivências sociais. Ao saber de uma morte acorrem os amigos para a assistência mais de vivos que do morto.
Seu Armando é o único dono de uma máquina de fazer sorvete de massa, em Cedro de São João, no sertão sergipano. Essas máquinas, que foram febre nos anos 1970 em todo o país, estão praticamente extintas.
SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO. Tão conhecedor das águas e ledor de todos os sestros e trejeitos do bicho peixe que bastava olhar o limo nas águas para saber se os peixes iam ou não caminhar.
SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO Sexta-feira, dia de feira Nas águas claras do rio Beiradeira beirando a beira Provocando arrepio Cabelos encaracolados Beiradeira beirando o rio.
A preocupação da lavradora Beatriz Oliveira de Jesus, 55 anos, viúva, aumenta quando a noite cai na comunidade de Riacho do Meio, em Ribeirão do Largo, município do sudoeste baiano. Ela acende o candeeiro e assunta os cômodos da casa de enchimento onde mora com sete filhos e duas netas.
Um dos seres lendários mais presentes em diversas culturas e mitologias, o lobisomem transita entre a sabedoria popular e erudita despertando o medo e advertindo incautos. Seja na Bíblia, em Ovídio ou nas conversas de cozinha e estórias de assombrar crianças, o licantropo ou homem lobo é das mais insistentes entidades que, no imaginário universal, sobrevive aos tempos.
SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO Hê! Anos setenta de melancolias e promessas de amor, com a trilha sonora da Banda Apollo. Um ensaio do Apollo, tinha lotação de público igual ou maior ao show. A Banda baiana da cidade de Xique-Xique recebia fãs em sua casa, vindos de todos os lugares, para assistir aos seus ensaios.