Suspensão de desintrusão na TI Uru-Eu-Wau-Wau reacende tensão fundiária

O ministro Gilmar Mendes, do STF, suspendeu a desintrusão de parte da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau em Rondônia. A decisão interrompe a retirada de ocupantes não indígenas, gerando preocupação em lideranças indígenas sobre o aumento de invasões e crimes ambientais. A medida ocorreu após pressão de parlamentares que alegam erros em demarcações federais.
Pontos-chave
- Decisão do STF suspende retirada de ocupantes não indígenas da TI Uru-Eu-Wau-Wau.
- Parlamentares de Rondônia alegam que produtores rurais possuem títulos legítimos de terra.
- Lideranças indígenas alertam para o aumento de grilagem e desmatamento após suspensão.
- A primeira fase da operação gerou prejuízo de R$ 7,5 milhões a atividades ilegais.
Contexto
A TI Uru-Eu-Wau-Wau sofre pressões históricas por sobreposição de assentamentos do Incra em terras indígenas.
Dados da matéria
Quem disse
“Vai ter mais ameaça aos indígenas e também às pessoas que aqui trabalham, como os funcionários da própria Funai.”
— Bitaté Uru-Eu-Wau-Wau, liderança indígena e presidente da Associação do Povo Indígena Uru-Eu-Wau-Wau
“A suspensão é um retrocesso, pois ocorre justamente quando o país retoma demarcações, portarias declaratórias e políticas de proteção territorial.”
— Kleber Karipuna, coordenador-executivo da Apib
“O aumento das invasões e ameaças aos indígenas se acentuaram com a decisão da suspensão da desintrusão”
— Neidinha Suruí, liderança da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé